domingo, 25 de setembro de 2011

MINHA BICICLETA












Tlim... tlim... tlim...
Ando de bicicleta,
sinto que sou grande
e não sou careta.

Tlim... tlim... tlim...
Ando pelas ruas,
ando pelo parque
na minha bicicleta.
Vou fazendo arte.

Tlim... tlim... tlim...
Um cachorro late,
eu avanço rápido,
pedalo e pedalo.
E quando acelero
sinto-me um herói.

Tlim... tlim... tlim...
Tlim... tlim... tlim...
Nada é melhor
que ser um ciclista,
sou um esportista,
eu sou o maior!

Poema de Isabel Furini
Ilustração de Marco Teixeira do Estúdio Teix -Fone: 3018-2732.

domingo, 11 de setembro de 2011

PATINHOS SAPECAS (Vamos contar até 10)






1 - Um patinho
nadava no lago,
veio um outro patinho
e começou a nadar a seu lado.


1+ 1 = 2

2 - Dois patinhos
nadavam no lago.
Chegou um amigo
e os convidou a navegar
em um barco construído
com papel de jornal.

2 + 1 = 3

3 -Três patinhos
passeavam de barco,
aproximou-se outro patinho
e viu o barco afundando.

3 + 1 = 4


4 - Quatro patinhos
nadavam e riam no lago.
Chegou mais um amigo
com uma bola de plástico.


4 + 1 = 5

5 - Cinco patinhos
brincavam no lago.

A bola vermelha ia e voltava
até cair na cabeça de um outro pato.
O pato estava sentado
num caminhão de brinquedo.


5 + 1 = 6

6 - Seis patinhos riam
e brincavam perto do lago
com um caminhão de brinquedo
que andava para cima e para baixo.

Um patinho voava sozinho,
desceu e os convidou a voar.

6 + 1 = 7


7 - Sete patinhos voavam,
voavam enfileirados sobre o lago.
Pertinho um do outro
e com muito medo de cair.

De repente enxergaram outro pato...
Ele voava rápido, muito rápido.
Bbbuuummm! Bateu nos patinhos
e todos caíram no lago.
7 + 1 = 8


8 - Oito patinhos nadavam no lago.
Um deles reclamou: – Voar é difícil.

– Nossas asas precisam crescer –
disse um patinho marrom,
enquanto se aproximava
brincando com um avião.


8 + 1 = 9


9 - Nove patinhos nadavam,
para frente e para trás.
Um pato cantor se aproximou dels
e disse: – Vamos cantar.






9+1 = 10

10 - Dez patinhos cantavam no lago.
Era um coro desafinado.
Uns cantavam baixo, outros alto;
uns cantavam rapidamente, outros, lentamente.
Uns cantavam com som de corneta
e outros cantavam com som de trombeta.



1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 -

As mães dos patinhos
escutaram seus filhos cantar.

Chegaram correndo: Um, dois e três,
quatro, cinco e seis, sete, oito, nove e dez.
– Estão todos aqui! – gritou contente
dona Pata para dona Patona.
Os dez patinhos haviam saído sem avisar
e de castigo foram dormir sem a janta.

1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 -

terça-feira, 6 de setembro de 2011

OS OLHOS DO CÉU

Era o vigésimo ano do Governo Correto. O Imperador de Jade Amarelo se regozijava em seu trono de ouro. Em um dia como tantos, das areias do deserto de Gobi, chegou um viajante com as vestes gastas, deteve-se ante o muro dos espíritos e contemplou os dezesseis dragões imperiais. Depois avançou entre as impecáveis colunas lisas e poligonais e solicitou que o levassem até a presença do Magnífico Imperador.

O ilustre Filho do Céu permitiu ao viajante se deleitar com sua presença, porque era orgulhoso e estava satisfeito com sua fama de misericordioso. O estranho ancião foi encaminhado para a ampla sala. Realizou as respeitosas reverências indicadas no ritual chinês, percorreu com o olhar os dezoito trípodes e por último observou o Dono das Cinco Regiões dizendo:

– Viajei pelo Reino do Norte, pelo Reino do Leste, pelo Reino do Sul, pelo Reino do Oeste e pelo Reino Médio. Todos te pertencem, oh, Grande Imperador. Mas após essa longa viagem, encaminhei-me ao zênite e por direito próprio converti-me em rei de mim mesmo. Então, aprendi a observar a flor que se abre ao sol e o voo dos pássaros. Aprendi a não desejar, a não planejar, a não me projetar ao exterior, a permanecer em mim mesmo e me converti no Imperador do Infinito.

O excelentíssimo Governador do Império Celeste mexeu-se intranquilo em seu trono sem poder ocultar seu desgosto. Compreendeu, nesse instante, que o velho possuía um império mais vasto que o seu. Sua mente se movimentou aceleradamente, como as lavas de um vulcão, como uma violenta tormenta de areia.

O Filho do Céu, o Imperador dos Cinco Elementos, pensou na sua fama. “O que será de mim quando os homens conhecerem o poder deste velho... Ainda que não seja o dono de um Império Infinito, sua atitude é comprometedora, e se suas ideias se espalharem, não mais me temerão”, pensou. O que fazer? Por fim, a mão fina e aristocrática fez um leve sinal. A Guarda Imperial se mobilizou e o ancião foi feito prisioneiro e executado naquele mesmo dia. Enquanto os soldados o arrastavam, deu um último olhar de compaixão ao poderoso Governador e aprofundou-se no seu silêncio interior.

Morreu sem sequer dar um grito, e somente uma mancha de sangue foi a testemunha de uma vida que se afastava.

À noite, depois de passear pelo jardim e contemplar a lua crescente refletida no lago, o Senhor do Império Médio se dedicou ao descanso. De repente, observou uma torrente de sangue que se deslizava por baixo da porta. O ilustríssimo Governador da China levantou-se rapidamente, como um raio tremendo em seu coração. Antes que pudesse gritar, da mancha de sangue elevou-se uma névoa que formou uma estrutura diferenciada e na qual o Imperador pode reconhecer... o velho viajante.

O velho sorriu com tristeza e disse:
– Honorável Senhor, não foste justo.
– Não, venerável ancião, eu não fui justo – respondeu com humildade. Seus joelhos tremiam, as mãos suavam e um nó parecia aninhar na sua garganta – mas quero que saibas que até então sempre fui justo.
– Ninguém te desafiou?
– Jamais – respondeu o Imperador com voz firme, recuperando-se do choque que lhe produzira a presença inesperada do velho.
– Meu governo se chama o Governo Correto. Admito que fui injusto por ter ordenado tua morte, mas amanhã irei ao Templo Ancestral e pedirei a meus antepassados a purificação por esse ato de impiedade.

– Ilustríssimo Imperador, cada um deve assumir suas próprias faltas e purificar-se a si próprio. Além do mais, senhor, nunca foste realmente justo. Todas tuas ações estão contaminadas.
– O que queres dizer?
– As tuas ações somente são boas em aparência.
– O que queres dizer, ancião?
– Tuas boas ações somente são boas em aparência.
– Como é possível? – perguntou atordoado.

– Oh, Filho do Céu! Tua intenção sempre foi egoísta. Com tuas ações procuras obter a fama do governante justo, mas nunca tiveste como objetivo o benefício de teu povo. Só estavas interessado em tua própria pessoa. Tu és superficial, egocêntrico e orgulhoso. Não és realmente bom. Com teus atos de aparente bondade buscavas beneficiar só a ti. Por isso ordenaste a minha morte. Teu coração não pode suportar a existência de alguém que seja livre, de alguém mais poderoso do que tu.
– Não compreendo, venerável ancião – disse mexendo a cabeça, com o olhar confuso – não consigo entender nem tuas palavras, nem tua presença.
– Talvez não queiras compreender, nobre Senhor. Eu era o encarregado de te revelar os mistérios do céu e de te dar o néctar da instrução. Não permitiste que eu cumprisse com meu dever... Agora não poderás cumprir corretamente o teu dever.

Uma nova luz espalhou-se pelo aposento real.
– Agora compreendo meu erro – confessou o Imperador – como poderei corrigir minha falta?
– Não será fácil, Senhor do Império Médio; não será fácil, Governador das Cinco Cores; não será fácil, Amo dos Cinco Animais Sagrados.
– Que devo fazer, Venerável Mestre? – perguntou num murmúrio. Ao pronunciar essas palavras, a voz do Imperador Celeste tremeu. Seus olhos negros se encheram de tristeza.
– Deves esquecer a tua fama, a tua condição, a tua glória. Deves ser tu mesmo. Cumprir teu dever, que é servir ao povo.

Ao dizer isso, a imagem do viajante começou a desvanecer-se, e o Imperador esqueceu sua glória, sua condição de aristocrata e gritou desesperado:

– Senhor, Mestre, preciso te ver.
– Aprenda a me ver em cada coisa. Eu estou em Tudo. Olhe minha forma verdadeira.

O Imperador das Cinco Regiões permaneceu atônito, contemplando a imagem do ser que havia reverenciado desde sua juventude. Diante dele estava Yu-Huang-Chang-Ti, o Supremo Imperador Augusto de Jade, o Senhor do Céu.

O sol avançava entre as nuvens quando o Imperador de Jade Amarelo acordou. Fez reunir na sala dourada todos os sábios conselheiros de seu reino e, ao narrar a causa de sua aflição, o mais velho lhe disse:

– Filho do Céu, vives dramaticamente centralizado na tua própria pessoa. Nosso venerado Yu-Huang-Chang-Ti, o Senhor do Céu, quer que te esqueças de ti mesmo e então ganharás o Império da Eternidade.

O Imperador de Jade Amarelo sorriu feliz e abriu suas portas interiores ao altruísmo. Então iniciou o Ano Primeiro do Governo Perfeito.

domingo, 4 de setembro de 2011

SACI PERERÊ


Moleque engraçado o Saci Pererê,
ele é corajoso - não teme ninguém,
ele escova os dentes das piranhas
e os dentes dos jacarés,
ele ruge e a anta se espanta:
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

O Saci desamarra os cavalos,
pinta o bico do tucano,
xinga o bicho preguiça,
pisa a cauda da iguana,
e quando uma jararaca se aproxima
ele sibila:
sssssssssssssssssssssssssssssssssss

O Saci Pererê só tem uma perna
ele tem cachimbo e um gorro vermelho,
gosta de cantar, gosta de dançar,
gosta de pescaria e gosta de assobiar junto com o vento:
fffiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuu



Poema de Isabel Furini.
Ilustração de Marco Teixeira

sábado, 3 de setembro de 2011

O CARANGUEJO ROCKEIRO

Rafaelguejo e Rosanguejo eram um casal de caranguejos que vivia à beira mar, na praia de Matinhos, perto da casa de praia da avó Roberta. Eles tinham três filhos: Zecaguejo, Chiqueguejo e Alberguejo.

Alberguejo, o caçula da família, era o mais terrível dos três, sempre fazendo brincadeiras, importunava os vizinhos. Ele era muito mal visto na comunidade dos caranguejos porque gostava de jogar areia na casa dos outros. Costumava gritar “Fogo, fogo!” enquanto todo mundo almoçava e de cantar rock no horário em que todos estavam dormindo.




– Vai ter que dar um jeito nesse menino – disse um dia um vizinho – eu não consigo dormir.

– Ele gosta de brincar e cantar... Ainda é muito novo – falou a mãe.

– Quem quer morar nesta praia tem de respeitar o direito dos outros, como disse o prefeito Joãoguejo, bons cidadãos respeitam o sono dos outros.

– É muito novo, ele vai aprender – repetia a mãe

Em um dia de verão, o pai foi dormir depois do almoço e pediu para Alberguejo ficar na casa, pois tinha muitos turistas na praia. Alberguejo não obedeceu e enquanto estava pulando daqui para lá na areia, dois meninos, Ricardo e Florêncio, correram atrás dele. Florêncio colocou o pé e cobriu a entrada da casa de Alberguejo. O pequeno caranguejo ficou desesperado. Seu pai escutou ruídos e saiu por um corredor secreto que tinha na casa. Ao ver seu filho em perigo, foi socorrê-lo.

– Olha que grande esse! Vamos pegá-lo! – gritou Ricardo. Florêncio, rapidamente, aprisionou Rafaelguejo dentro de um grande frasco de vidro.

Rafaelguejo estava confuso, podia ver a praia, mas não conseguia sair – É meu fim, pensou, nunca mais voltarei a correr pela areia...

– Pobre papai. E tudo por minha culpa – chorava Alberguejo escondendo-se na sua casinha, muito assustado.

Nesse momento as crianças começaram a brigar.

– O caranguejo é meu – disse Florêncio.

– Não, ele é meu – gritou Ricardo – eu o vi primeiro.

– Mas fui eu quem o pegou – gritou Florêncio.

Assim brigando pela possessão do frasco, o vidro rolou contra uma rocha. Rafaelguejo sentiu uma explosão, e de repente... a liberdade. Começou a correr e, como era muito esperto, escondeu-se entre as rochas. Ele viu os meninos procurando-o, mas não saiu de seu esconderijo.

O pai das crianças aproximou-se e quando soube do acontecido disse:

– Viram? Vocês brigam demais, não sabem cooperar e perderam o caranguejo. Agora deixem esses bichos em paz e vão brincar na água.

Naquela noite todos os caranguejos reunidos entre as rochas escutaram Rafaelguejo contar sua terrível aventura.

– Fujam sempre dos vidros! – exclamou Rafaelguejo – são perigosos.

Alberguejo, chorando, pediu perdão ao pai – Foi minha culpa, pai. Você poderia ficar prisioneiro ou ser morto porque eu não obedeci ao senhor. Desculpe, pai.

– Ele é um safado! – gritou uma vizinha – não me deixa dormir.

– E joga areia na casa dos outros – apoiou-a outra vizinha.

– Ele coloca em risco toda a comunidade dos caranguejos! – gritou alguém subindo no alto de uma rocha.

A vizinhança toda reclamava. Alberguejo sentiu que o bairro não gostava dele e ficou muito triste. Seu pai falou:

– Alberguejo, eles só reclamam de sua falta de sensibilidade para com a necessidade dos outros. Você pode se divertir, mas eles precisam dormir. Sua diversão não pode atrapalhar a vida dos outros

Alberguejo começou a pensar nas palavras do pai e foi mudando de comportamento.

Chegou a época de Alberguejo trocar sua casca por uma nova e maior. Um dia a casca rachou pelos lados, Alberguejo conseguiu sair colocando primeiro as pernas para fora. Então decidiu que já havia chegado o momento de conhecer o mundo. Deitado na areia cruzou suas dez pernas em sinal de preocupação.

Sua mãe aproximou-se:

– O que aconteceu, filho?

– Eu já estou crescido e sonho ser um cantor de rock. Vou deixar esta praia, viajar e conhecer o mundo.

A mãe chorou muito, mas o pai disse que Alberguejo já estava crescido e tinha o direito de tomar as próprias decisões.

– Respeite os outros e evitará problemas – disse o pai para Alberguejo.

Alberguejo se uniu a uma banda de rock e foram à Praia da Diversão para tocar música. Lá ninguém reclamava dele, pois Alberguejo aprendeu que tudo tem seu momento e seu lugar.

(Conto de Isabel Furini publicado em "Bondinho dos Livros" - blog do Bonde News).
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